terça-feira, 10 de janeiro de 2012

- Papai! – Suplicou Jéssica
Sr. Osvaldo continuava calado e com vergonha da filha, não sabia como sua filha chegara a esse ponto e o que lhe fez ter tanta ganância por dinheiro, o que lhe fez ter tanta maldade e malícia em seu coração.
De repente fechou o sinal e Sr. Osvaldo lembrou – se de uma vez quando Jéssica tinha oito anos, eles estavam em um campo, coberto por lírios, tinham ido visitar parentes em Pelotas, no sul do país. Enquanto relembrava esses momentos, refletiu em como Jéssica havia se tornado uma jovem bonita, contudo ela havia se transformado em uma pessoa fria e gananciosa, não era da política, mas se parecia muito com certos políticos meia boca, ela havia se transformado em tudo aquilo que ele nunca desejou que alguém fosse.
Ele sorria de canto ao lembrar-se de Jéssica correndo para o arroio naqueles dias frios no sul do país, Jéssica o fitava de canto e por um segundo imaginou que ele quereria que ela fosse uma pessoa melhor, ela queria ser uma pessoa melhor, mas tinha muitos defeitos, assim como todo o ser humano.
O sinal abriu e Sr. Osvaldo não respondeu a suplica da filha. Jéssica temia chegar em casa, tinha vergonha da irmã e principalmente do cunhado, e sua mãe... Sua mãe... Ela era tão frágil, já tinha os problemas da irmã que era cardíaca, e agora ela... Não queria de jeito nenhum ser um incomodo para a família, mas sabia que sua presença causaria muita tensão para a família.
Passou uma semana e meia, já tinha se passado a virada do ano, e já estavam em 2012, minha Milene não conseguia conversar com a irmã, por conta de tudo que ela já havia feito, é claro, eu também não conseguia conversar com ela, tinha nojo... E também por causa da minha mãe, minha pobre mãe...
À medida que os dias se passavam o casamento se aproximava e eu confesso que ficava com muito medo, Milene teve um infarto em janeiro e eu confesso que gostaria de doar meu coração a ela, mesmo sabendo que seu coração na verdade era sadio, o que a fazia mal realmente eram as emoções que afloravam seus nervos e faziam seu coração bater como um sino de igreja em dia de procissão. 

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