sábado, 29 de outubro de 2011

Nós continuamos ali por horas, rindo, mas com muito receio do que pudesse acontecer, afinal, do meu pai esperava – se qualquer coisa. Naquele dia conversamos sobre o nosso casamento, era para o dia 19 de março e já estávamos em dezembro, quase janeiro, eu já podia imaginar minha Milene no vestido, tão meiga quanto um jardim de amor perfeito.

Noticiário
“Em Brasília o senador olindense é flagrado, pego na corrupção junto de sua amante, uma jovem de 20 anos, também olindense.” Apareceram fotos dos dois no noticiário
- Ah meu Deus, é o salafrário. – Disse mainha
- Oxente, e não é que o velho tem uma amante? – Ironizei para descontrair
- Ora, fique quieto Juliano! – Repreendeu mamãe
Nós estávamos assistindo o jornal da noite, apenas eu e mainha, mas eu podia imaginar como estava o Sr. Osvaldo e dona Joana, apesar de tudo, Jéssica era filha deles e eles a amavam com amor infinito.
- Mainha você acha que a amante de painho é Jéssica? – Perguntei
- E você tem alguma dúvida? – Perguntou – me
- Tenho não! – Respondi
Naquele instante resolvi ligar para Milene, não queria que ela ficasse aflita, mas acho que atrasei – me.
- Meu amor, como é que você esta? – Perguntei ao telefone
- Como você acha que estou Juca? Minha irmã tendo um caso com seu pai... O que sua mãe deve estar pensando de minha família? – Falou
- Meu bem, minha mãe sabe que a única mal caráter é sua irmã, ela adora os seus pais e seu irmão, e quantas vezes já me disse que você é como uma filha pra ela, tire essas coisas ruins de sua cabeça amor. – Confortei – a
- Você sempre me confortando amor... – Disse com sua voz doce
- Você quer que eu vá aí? – Perguntei
- Precisa não – disse ela
- Sua mãe está precisando mais de você do que eu. – Falou
- Então meu amor, qualquer coisa me liga, você sabe que não tem hora. - Falei
- Tudo bem amor, você também. – Respondeu
- E você se cuide. – Disse a ela referindo – me a sua saúde
- Tudo bem painho – Ela disse debochando
- Eu te amo! – Afirmei
- Eu também lhe amo! – Afirmou ela

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Beijos de dona Dondon é uma receita de culinária nascida nas casas-grandes dos engenhos de açúcar: doces feitos pelas escravas africanas com receitas das sinhás, guardadas como segredo de família: "Os dois começos de ralizações culturais lusos em terras brasileiras", diz o sociólogo Gilberto Freyre.
À doçaria de engenho de influência portuguesa - que por sua vez tem influência moura e árabe, e que incorporou os valores ameríndios e africanos - se uniram os produtos autóctones, como a mandioca, o caju e a castanha. Ingredientes vieram, então, acrescentar-se a esse "cruzamento cultural": a canela do Oriente; a noz-moscada; e o cravo.

ORIGEM: Em meio século da introdução da cana-de-açúcar no Brasil, em São Vicente (1532) o Nordeste já abrigava  o que viria a ser a doçaria dos engenhos: com origem nas casas-grandes do Nordeste, "a doçaria dos engenhos" tomava nomes de famílias ou de engenhos, como Sousa Leão, Guararapes, tia Sinhá, Fonseca Ramos ou suspiros do "Noruega". Mas tudo condicionado pela realidade tremenda da escravidão. Sem a escravidão não se explica o desenvolvimento, no Brasil, de uma arte de doce(...)"

Dessa vez mamãe quase caiu na lábia do senador, mas eu então presenciei uma mudança em seu rosto, era uma face um tanto que desconfiada, então ela desligou o telefone na cara do senador e respirou fundo.
- O que houve? – Perguntou Sr. Osvaldo
- É o meu marido... – Respondeu ela.
- O que aquele salafrário do papai fez? – Perguntei
- Ele apenas disse que está encrencado e que precisava de dinheiro, pediu – me que eu depositasse em sua conta.
- Oxe! Você não vai fazer isso não mamãe. – Ordenei
- É claro que não. – Disse ela desconfiada
- Que cara essa? – Perguntei.
- Eu ouvi a voz suave de uma mulher e não me parecia estranha. – Disse ela agora com um pouco de tristeza no rosto.
- Vixi mainha, mas me conte a novidade! – Ironizei.
Naquele momento mudamos de assunto, mas percebi a preocupação no rosto de Milene, sobretudo de minha sogra, quando mainha foi buscar os Beijos de dona Dondon* ouvi cochichos de Milene e Dona Joana.
- Você está pensando o mesmo que eu menina? – Dona Joana perguntou a Milene.
- Eu acho que sim! – Respondeu Milene.
- Se sua irmã está junto com o salafrário de seu sogro ela não entra mais em casa! – Afirmou dona Joana.
Eu tinha certeza de que era Jéssica, pois, ano passado eu os tinha visto juntos um dia, dentro do C4 Palace de meu velho pai, quando eu ainda achava que ele era um homem perfeito, apesar de saber de suas trapaças, eu realmente achava que ele tinha salvação, mas meu pai, era o pior homem da face da terra, se é que poderia chama – lo de homem.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Eram 15 horas, nós riamos no quintal de minha casa – abriu – se um sorriso em meus lábios agora, por que até aquele dia eu estava feliz e sem mais problemas para me preocupar, ou pelo menos, não aparentemente. – De repente o telefone tocou, engraçado, mas todos ficaram com as mesmas caras de susto, Maria Helena atendeu, a empregada, e sem palavras nenhuma entregou o telefone com as mãos tremulas a minha mãe que já temia quem fosse.
- Alô? – Disse ela
- Eu preciso de ajuda! – Gritou a voz máscula um tanto enraivecida do outro lado da linha.
- Mas quem você pensa que é para vir me pedir ajuda em pleno dia sagrado, bichin, você só pode estar louco, oxente! – Gritou ela

- Você precisa depositar em minha conta... – Disse ele sendo interrompido mais uma vez por ela
- Eu não vou depositar nada em sua conta, seu safado! – Exclamou ela
- Mulher, escute, eu estou encrencado! – Disse ele, dessa vez como um pedido de misericórdia.

domingo, 2 de outubro de 2011

Capítulo 5
25 de dezembro de 2011 – Corrupção

Estávamos todos conversando na varanda, pra variar a minha família não estava completa, meu pai não saiu de Brasília por nada nesse mundo e a Jéssica tinha ido viajar, provavelmente estava em Brasília com meu pai; o fato de eles não estarem presentes, apesar dos pesares, foi muito melhor, pois passamos um natal de paz, só não sabíamos que em Brasília não reinava a paz.
E o depois foi tão triste, tão cavernoso, tudo mudou de repente, a paz que nós estávamos sentindo se foi como vão as águas, transformando o passado e o presente em tristes mágoas...