Juliano narrando
Já estávamos em fevereiro, sim, próximo ao carnaval, Milene estava feliz, nossos momentos eram únicos e mágicos, mas eu podia pressentir que aquela felicidade, um dia, ia acabar, não que eu quisesse, meu desejo era ficar para sempre com Milene, mas talvez por obra do destino, ou até mesmo pela própria desilusão do acaso alguém quisesse nos separar...
Eu estava sentado na beira da praia com Milene, como de costume, sempre fazíamos isso, ela fitou – me e indagou:
Eu estava sentado na beira da praia com Milene, como de costume, sempre fazíamos isso, ela fitou – me e indagou:
- Meu amor, o que você tem? – sim, ela realmente me conhecia como ninguém, até mesmo mais que minha mãe... Eu não podia mentir por que ela leria meus pensamentos, então abracei – a muito forte e foi então que começaram a escorrer ardentes lágrimas dos meus olhos, eu senti uma grande nostalgia, como se ela estivesse presente ali mas não estivesse, enfim... Como se ela tivesse morrido e eu ficado sem ela.
- Por que você chora meu amor? Eu estou aqui...
- Promete que nunca vai me deixar? – supliquei
- Meu Juca, eu não preciso prometer isso, você sabe que nunca vou lhe abandonar... – falou – me ela assustada
Ficamos um tempo abraçados e eu selei aquele momento com um beijo, segurei –a pela cintura e a outra mão coloquei em sua nuca, segurando seus longos cabelos lisos e escuros... Era um beijo doce, calmo e apaixonante, doce, como minha doce Milene!
No outro dia, cheguei a sua casa pela manhã, bem cedo, Joana tinha me chamado para uma conversa, os exames de Milene haviam chego e eu precisava saber o que ela tinha, mesmo ela não demonstrando nenhum tipo de sintoma, ela tinha sopro no coração desde pequena. Abrimos os exames e estava escrito lá: Tumor no átrio direito. Ligamos rapidamente para o cardiologista e ele explicou – nos com uma voz de pesar:
- Sinto em dizer Senhora, mas sua doce menina não tem muito tempo.
- Ai doutor, quanto tempo? Não me diga que Milene vai... – interrompeu as palavras com ardentes lágrimas.
- Eu sinto muito! – disse ele
Foi como se um temporal desmoronasse um castelo, uma felicidade tão imensa não podia acabar, se Milene morresse eu desabaria. Sentei ao lado de Joana e choramos, contamos tudo para Osvaldo e para o caçula também, todos pareciam terem sido atropelados por uma nave espacial em meio ao deserto. Eu estava seco, e ao mesmo tempo molhado de lágrimas, estas que não secariam tão rápido, ou talvez não secassem mais...
Jéssica chegou sorrindo.
- Por que estão todos chorando?
- Sua irmã está com tumor no átrio direito minha filha. – Disse Osvaldo entre lágrimas.
Jéssica segurou as lágrimas, mas fez – se de durona e falou:
- Hum, coitada!
- Coitada? Você não tem compaixão pela sua irmã Jéssica? – Falou Osvaldo alterando – se.
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