Natal – Juliano narrando
Era vinte e quatro de dezembro, eu sabia que ela não podia me comprar algum presente, mas mesmo assim ela comprou – me uma coisa que eu sempre vou guardar, ela batalhou tanto vendendo uns artesanatos que fez com sua mãe para poder comprar uma corrente para mim, com uma plaquinha dizendo: “Eu te amo”, eu tenho até hoje, quando sinto saudades me agarro naquela corrente e choro como se estivesse abraçando – a, como se ela estivesse aqui do meu lado...
Lembro – me com um sorriso do rosto dela ao me dar o presente.
Lembro – me com um sorriso do rosto dela ao me dar o presente.
- Juca, eu tenho um presente pra você! – exclamou ela.
- A meu amor, não precisava, você sabe que meu maior presente é você e sempre será... – falei.
- A meu amor, não precisava, você sabe que meu maior presente é você e sempre será... – falei.
- Claro que precisava, e não diga não, eu consegui com muito esforço, não é nada do que você costuma usar e é inferior a todo o ouro que você tem, mas é com muito amor... – falou ela.
Quando abri o pacote, era uma grande caixa, e dentro da grande caixa iam se abrindo pequenas caixas, e na menor, estava uma corrente, a corrente que estou segurando nas mãos agora, olhei para ela com os olhos cheio de lágrimas e falei:
- Agradeço a Deus todos os dias por ter você do meu lado, andando comigo, vivendo comigo, sendo tudo aquilo que eu sempre quis, ou melhor, bem mais do que eu sempre sonhei pra mim...
Às horas se passaram e chegou à hora da missa na catedral, fomos eu e ela, já que sua família não era muito cristã, mas ela sempre foi, e guardava sua fé como um tesouro muito precioso, também foram meus pais... Até então, papai sabia que eu namorava Milene, mas não sabia que era a filha do pescador, surpreendeu – se quando viu – me com ela e na frente mesmo da catedral humilhou – a como se fosse uma usurpadora, lembro da tristeza dos olhos dela quando papai proferiu essas palavras:
- Meu filho, o que você está fazendo com essa menina de categoria inferior que só quer o seu dinheiro?
- Mais respeito papai, Milene não tem tanto dinheiro como você, mas ela sabe muito bem o que importa, e o que importa é somente o amor, diferente de você que só se preocupa com o seu dinheiro infame, e só procura as famílias pobres quando precisa dos votos deles, saiba que nesta eleição de 2011 eu não votarei em você! – disse eu rigidamente.
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