Ela entrou no carro e eu acelerei, enquanto conversávamos em direção ao centro de Olinda, escutamos a mesma melodia que escuto agora... Aquela melodia triste, que faz recordar o passado, ou naquele momento, pensar num futuro sem Milene. Por um breve momento escorreu duas lágrimas fugitivas de meus olhos, estes que só tinham brilho com Milene.
- Chorando de novo amor? – perguntou – me confusa
- Eu tenho medo de te perder... – falei
- Então você já sabe que eu estou entre a vida e a morte, meus dias estão contados...
- Sim, eu sei... Mas isso vai passar.
- Não, eu até que durei muito tempo – disse ela – graças a Deus que ainda estou vivendo, tive o prazer de te conhecer...
- Meu amor, o prazer foi todo meu, vamos viver nossos dias, como se fossem os últimos, você não sabe o que vai acontecer amanhã e... Nem eu sei!
Deixei-a no salão, enquanto ela subia as escadas para se arrumar, entreguei o vestido para a recepcionista.
Fui para a casa e já eram 16h: 30min.
Tomei um banho demorado e lá fiquei lembrando o Ano Novo com Milene, era tudo tão simples, mas o simples me encantava e parece que me enchia de alegria e enriquecia o meu peito, essa sim era a verdadeira riqueza, riqueza esta que no meu pai eu desconhecia. Graças a Deus ele estava em Brasília, ele passava mais tempo lá do que aqui, eu ficava feliz com isso, por que ele só causava discórdia, minha mãe ficava muito melhor com ele longe, depois de namorar com Milene eu vi a pessoa maravilhosa que minha mãe é.
Sai do banho e coloquei meu smoking, fui buscar Sr Osvaldo, Joana e Roberto.
- E Jéssica não vai? – Perguntei com vontade que a resposta fosse não.
- Não! – Disse Sr Osvaldo – Ela foi viajar para Brasília, completou Joana.
Graças a Deus – pensei.
Deixei – os em minha casa, Joana estava muito bonita, seu vestido era vermelho, longo, sem brilhos, mas muito chique.
Fui buscar Milene que ansiosa já me ligava. – Sim, ela era muito impaciente para algumas coisas, apesar de tudo, mas eu adorava o seu jeito.
- Poxa amor, você demorou muito! – Disse ela.
- Oh, amor, desculpa. Vamos direto?
- Sim!
Vendei os seus olhos e dei a desculpa de que não queria que ela visse o “meu novo carro”, confesso que fiquei boquiaberto com o que vi, ela estava linda, mais do que nunca, era um vestido longo com uma pequena calda, rosa Pink, tinha alguns brilhos, mas nada muito chamativo, até por que ela não gostava. O Cabelo tinha um tipo de passador com strass, até hoje não sei o nome daquilo, estava puxado um lado e o outro solto, com uma onda para o lado direito, cachos na ponta, sua maquiagem também estava perfeita.
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